O mercado de aplicativos para restaurante já existe há um bom tempo. Muitas empresas estão consolidadas e, por isso, são a primeira opção de estabelecimentos que desejam expandir seus negócios. O problema é quando essas empresas se tornam a única opção: é quando surge o monopólio, que traz diversos problemas para o setor.

Ou, em algumas vezes, a mesma característica de imposição de preços, pode surgir quando temos poucas empresas que não precisam competir entre si formando um oligopólio

Isso não quer dizer que não existem alternativas, mas que as outras empresas simplesmente não conseguem competir com as gigantes do setor.

“É um perigo para os estabelecimentos, porque essas empresas podem cobrar quanto quiserem dos restaurantes”, afirma Gabriel Rizzi, sócio do isyBuy.

 

Nessa entrevista, ele explica tudo sobre os monopólios de delivery e marketplaces nesse setor, e como os estabelecimentos e consumidores podem ajudar a movimentar o mercado.

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Qual é o perigo do monopólio ou oligopólio de aplicativos de restaurante?

Gabriel: É a questão do preço imposto. Essas empresas podem cobrar muito dos estabelecimentos, até um ponto em que a margem de lucro fica muito abaixo do esperado, mas, ao mesmo tempo, eles já se tornaram dependentes das plataformas. O Cenário atual do delivery lembra os monopólios dos cartões de crédito antigamente, quando existiam apenas dois esquemas separados no mercado sem competição e cobrando preços abusivos.

Mas os estabelecimentos também são culpados por formar esses monopólios. Muitas vezes, eles deixam de fechar com uma empresa porque já acertaram com a concorrente, ou preferem estar apenas com os líderes de mercado, ou ainda pior fecham exclusividade por um grande período de tempo. Eles não enxergam que podem ter quantos quiserem, desde que não haja custos adicionais, ajudando assim a competitividade no mercado, porque quando você só tem um, abre as portas para os casos de monopólio.

Como dono de um bar ou restaurante, que tipo de vantagem eu posso ter contratando empresas menores, novas no mercado?

Gabriel: A principal é o preço. O valor é muito menor, muitas vezes chega a ser um terço de empresas como o iFood ou UberEats, por exemplo. Para aumentar o lucro, os estabelecimentos deveriam incentivar o crescimento dessas plataformas novas, que cobram muito mais barato.

Claro que o iFood, como marketplace, consegue gerar muito mais pedidos para o restaurante durante o mês, e é por isso que, para conseguir uma redução na taxa, muitos estabelecimentos assinam um acordo de exclusividade. Mas isso intensifica o problema.

Além do preço, essas novas plataformas, muitas vezes, trazem inovação através de propostas de valor diferenciadas. Nós do isyBuy, por exemplo, oferecemos a possibilidade do cliente fazer o autosserviço não só no delivery, mas também para consumo no local ou order ahead (antecipação do pedido). Isso aumenta ainda mais as vendas e deixa a operação mais eficiente.

Ainda estamos longe de quebrar esse oligopólio e dar uma chance a outras empresas?

Gabriel: Eu acredito que sim, estamos longe. O monopólio surge da fusão de empresas, quando uma começa a comprar todas as outras. As empresas só são compradas pela líder por que estão passando dificuldades para conseguir mercado. E o comerciante ainda não entendeu como quebrar esse monopólio.

Os contratos de exclusividade são ainda piores. Normalmente, as gigantes chegam a cobrar 15%~20% de taxa por pedidos, ou até 30% se vão se responsabilizar também pela entrega. Quando fecham exclusividade podem reduzir esse valor para  9%. Mas, para isso, ficam até 2 anos somente com aquela plataforma. E isso tem acontecido principalmente nas grandes marcas.

Então, mesmo cobrando taxas três vezes mais baixas, plataformas como o isyBuy tem dificuldade com esses clientes. Os comerciantes precisam aderir às novas plataformas e dar uma chance de crescimento, e não ficar presos ao iFood, por exemplo, entre outros.

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O que precisa ser feito para começar a mudar esse cenário?

Gabriel: Tem que focar tanto no cliente como nos donos dos estabelecimentos. Se nenhum cliente aderir, as as plataformas não dão certo. Mas os donos de estabelecimentos também têm uma parcela muito importante nesse cenário.

Se eles aderirem às plataformas novas, elas começam a se tornar algo mais interessante para o consumidor. Então, o primeiro passo tem que ser, definitivamente, dos estabelecimentos.

Mas, os consumidores também têm motivos para entrar nessas novas plataformas. Primeiro, para incentivar alternativas para o cenário atual.

E, outra coisa, que a maioria das pessoas não sabe: os restaurantes não são obrigados a cobrar o mesmo preço em todos os canais. Ou seja, o preço de um prato pela plataforma do monopólio pode ser mais caro do que pedir pelo telefone ou em outros aplicativos, por exemplo. Muitos consumidores não sabem disso e acabam saindo no prejuízo.

Por que você acredita que os estabelecimentos estão demorando para lutar contra esse monopólio?

Gabriel: É a mentalidade. Os donos dos restaurantes só precisam compreender melhor o mercado como um todo. Eles estão muito focados em conseguir o resultado imediato e acabam olhando apenas o volume dos “monopolistas” e não enxergam o preço. Eles não veem que à longo prazo deveriam garantir a concorrência também.

As novas plataformas geralmente não trazem nenhum prejuízo porque muitas não cobram mensalidade, implantação e nem ocupam espaço. São apenas mais um sistema que fica instalado no computador ou tablet da loja.

Além disso, à medida que o movimento dos novos crescem, vão trazer redução de custo para o estabelecimento. Ou, pelo menos, traz competitividade, o que exige das empresas maiores, como o iFood ou UberEats, redução das taxas.

Outro problema relacionado a isso são os contratos de exclusividade, que já mencionamos. Isso fecha as portas para a concorrência, e também impede os restaurantes de conseguirem oportunidades melhores em um futuro próximo. É preciso gerar competitividade para o preço diminuir.

Esse monopólio já está consolidado nos aplicativos para delivery. O que nos preocupa é nos outros setores, como o de pedidos antecipados, gestão de filas ou promoções, por exemplo. Muitas vezes, vamos negociar com algum restaurante e eles afirmam que não vão fechar conosco. Isso porque já assinaram com o concorrente.

A questão é: não se feche, tenha varias plataforma do mesmo seguimento. Se não, daqui a dois anos, vai existir um monopólio também e as taxas vão ser abusivas.

O isyBuy é um aplicativo para bares e restaurantes que possui diversas finalidades. Ele permite que o cliente abra uma comanda digital, faça os pedidos e efetue o pagamento diretamente do smartphone, sem enfrentar filas.

Para os estabelecimentos, permite que os garçons executem menos tarefas, evita erros humanos e o desperdício de dinheiro. Também possibilita o desenvolvimento de estratégias de CRM.

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Entrevista de Gabriel Rizzi, sócio da isyBuy, por Gustavo, que é jornalista da equipe growwW

Gabriel, fundador do isyBuy, apaixonado por boa comida, cerveja e tecnologia. Cansado das filas resolveu criar uma soluçao para trazer agilidade na hora de pedir mais um drink e pagar a “dolorosa"